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Simples Nacional pode subir para R$ 7 milhões? Entenda o que está sendo discutido no Congresso

O Congresso Nacional voltou a discutir uma mudança que pode impactar diretamente milhões de micro e pequenas empresas brasileiras: a atualização do teto de faturamento do Simples Nacional e do MEI.

O tema ganhou força após declarações do deputado federal Jorge Goetten, relator do PLP 108/2021, que pretende votar o projeto ainda em 2026 para que as novas regras passem a valer a partir de 2027.

Se aprovado, o projeto pode elevar:

  • o teto do Simples Nacional dos atuais R$ 4,8 milhões para mais de R$ 7 milhões anuais;
  • e o limite do MEI de R$ 81 mil para até R$ 160 mil por ano.

A proposta é vista por parte do setor produtivo como uma tentativa de atualizar valores defasados pela inflação e reduzir o desenquadramento precoce de empresas em crescimento.

O que muda no Simples Nacional?

Hoje, muitas empresas acabam ultrapassando o limite do Simples Nacional sem necessariamente terem aumentado sua margem de lucro real.

Na prática, o crescimento nominal provocado pela inflação empurra negócios para regimes tributários mais complexos e caros, como o Lucro Presumido.

O PLP 108/2021 pretende justamente corrigir essa distorção.

A ideia discutida no Congresso é atualizar os limites considerando a inflação acumulada desde a última grande revisão da tabela.

Se isso acontecer, o teto do Simples pode ultrapassar R$ 7 milhões anuais, enquanto o MEI poderia quase dobrar seu limite atual.

O maior obstáculo: a equipe econômica

Apesar do apoio de entidades empresariais e parlamentares ligados ao setor produtivo, a proposta enfrenta forte resistência da equipe econômica do governo federal.

Segundo o relator, existe divergência principalmente em relação ao impacto fiscal da medida.

Enquanto consultorias ligadas à Câmara dos Deputados trabalham com estimativas menores, a área econômica calcula uma possível renúncia tributária entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por ano.

De acordo com Jorge Goetten, esse é hoje o principal ponto de impasse entre o Congresso e o governo.

Aprovação pode ficar para depois das eleições

O relator afirmou que a intenção é votar o projeto ainda em 2026, mas provavelmente apenas após as eleições presidenciais.

Isso porque o calendário legislativo deve ficar esvaziado durante o período eleitoral, reduzindo a janela política para aprovação de temas sensíveis.

Na prática, o cenário mais provável hoje é:

  • votação em 2026;
  • implementação das novas regras em 2027.

Um novo estudo da FGV está em andamento

Para fortalecer a negociação com a Receita Federal, um novo estudo da Fundação Getulio Vargas está sendo finalizado.

O objetivo é apresentar projeções econômicas mais detalhadas sobre:

  • impacto fiscal real;
  • formalização de empresas;
  • aumento de arrecadação previdenciária;
  • e efeitos no crescimento econômico.

A expectativa dos defensores da proposta é demonstrar que o aumento dos limites pode gerar efeitos positivos no médio e longo prazo.

A discussão vai além do teto

Outro ponto que começou a entrar no debate é a chamada “rampa suave” de transição entre o Simples Nacional e o Lucro Presumido.

Hoje, muitas empresas enfrentam um salto abrupto de carga tributária ao ultrapassar o limite do Simples.

Segundo o relator, a ideia seria criar uma transição mais gradual para evitar o que chamou de “tortura do negócio” — situação em que crescer acaba significando aumento desproporcional de custos tributários.

Esse tema, porém, ainda é tratado como preliminar dentro da comissão especial.

Formalização de trabalhadores

Um dos argumentos utilizados pelos defensores do projeto é o potencial de formalização de milhões de trabalhadores.

A estimativa apresentada pelo relator é que cerca de 15 milhões de pessoas hoje atuem informalmente em atividades compatíveis com o MEI.

A lógica da proposta é que limites mais realistas poderiam incentivar a regularização dessas atividades, aumentando a arrecadação previdenciária e tributária ao longo do tempo.

O que as empresas precisam acompanhar agora?

Neste momento, o projeto ainda está em discussão e não há mudança aprovada.

Mas o tema merece atenção de empresários e profissionais da contabilidade porque pode alterar significativamente o planejamento tributário de pequenas e médias empresas nos próximos anos.

Os principais pontos que devem ser acompanhados são:

  • definição do novo teto do Simples;
  • possível atualização do limite do MEI;
  • regras de transição entre regimes;
  • cronograma de implementação;
  • e impacto da Reforma Tributária sobre micro e pequenas empresas.

Para muitas empresas que hoje operam próximas do limite do Simples Nacional, a discussão pode representar uma mudança importante no custo tributário e na estratégia de crescimento a partir de 2027